Monday, 31 May 2004
Estou de volta, e já de partida outra vez... Não tenho conseguido reunir os minutinhos diários para deambular com o espírito, para pesquisar ou ordenar as ideias, mas há tempos em que temos de nos abstrair dessa vontade de sermos muito nós próprios e fixar toda a atenção em qualquer projecto mais trabalhoso. Tem sido assim com este mestrado, que enfrenta agora a época mais crítica, mas espero ter tempo depois para gozar da sensação de ter tudo acabado e bem feito, e aí sim dar largas à imaginação! Volto logo...
Friday, 21 May 2004
Monday, 17 May 2004
Herdade da Poupa, Nikon F50, Agfa 400 ISO
Amanhã vou para longe, vou deixar o cheiro acolhedor da minha casa, o seu sossego... vou para o campo, como qualquer biólogo que se preze... e estar em contacto directo com o meu objecto de estudo. É a rotina à qual não posso fugir, embora de cada vez que vá não consiga evitar de sentir a vontade de ficar no meu canto... Mas a natureza, apesar de por vezes assustadora pela sua força e grandeza, pode ser compensadora, põe-nos em contacto connosco mesmos e dá-nos espaço para sentir mais fortemente o nosso papel por aqui. Não me deu resposta ainda, mas de cada vez que regresso a alegria de estar de volta esquece os lamentos do dia-a-dia!
Friday, 14 May 2004
"Crow Eagle" - índios Piegan - de Edward S. Curtis
O Lakota era um verdadeiro amante da natureza. Amava a terra e todas as coisas boas da terra, e esse afecto crescia com a idade. Os idosos chegavam literalmente a amar o solo; sentavam-se ou repousavam na terra com o sentimento de se aproximarem das forças maternais. Era bom para a pele o contacto com a terra, e as pessoas idosas gostavam de tirar os mocassins e andar de pés descalços sobre a terra sagrada. Os seus tipis erguiam-se nesta terra de que eram feitos os seus altares. Os pássaros que voavam nos ares vinham repousar-se nela e a terra era o lugar permanente de todas as coisas que viviam e cresciam. O solo suavizava, fortificava, lavava e curava. É por isso que o velho índio se afinca ao solo, em vez de se separar das forças da vida. Para ele, sentar-se ou deitar-se assim consiste em poder pensar mais profundamente e em sentir mais vivamente; contempla assim mais claramente os mistérios da vida e sente-se mais próximo das forças vivas que o envolvem… Esta relação que ele mantém com todas as criaturas da terra, do céu e da água constituía um princípio real e activo. O velho índio tinha um sentimento de fraternidade para com o mundo dos pássaros e dos animais, e estes retribuíam-no com a confiança. Era tão estreita a familiaridade entre certos lakotas e os seus amigos de penas ou de peles que, tal como se fossem irmãos, falavam a mesma linguagem.
O velho lakota era sábio. Sabia que o coração do homem afastado da natureza se torna duro; que a falta de respeito para com o que cresce e vive depressa conduz também à falta de respeito para com os humanos. Por isso mantinha ele os jovens sob a mansa influência da natureza.
(Chief Luther Standing Bear, in A Fala do Índio de Teri McLuhan)
Thursday, 13 May 2004
escrevo-te
não que saiba escrever ou dizer o que quero
Resolvi passear e na tarde acontece
encontrar o lenço no bolso e dos beirais ao olhar a rua
a rua chegar à porta escrevo-te
porque me apetece escrever e ainda esta manhã te vi e
Compro o jornal e
da esplanada escrevo a canivete os nossos nomes no ar do rio
escrevo-te e as palavras duram mais
e são ditas de todas as vezes que lidas e
não que saiba escrever ou dizer o que quero Entro
e o autocarro está cheio
e ainda esta manhã te vi e
Passeei a tarde inteira e se me acho nos beirais dos bolsos
e se acontece vir das a casa que leias o que te digo
de todas as vezes
Então pedi um café demorado e não li o jornal
e dos beirais das o nome às coisas e
os pombos juntam-se aos velhos no jardim e o autocarro está cheio
E acontece vir dar a casa escrevo-te
e antes do jantar entrego-te esta carta em mãos
e não é porque saiba escrever ou dizer o que quero é
só porque sim
(João do Nascimento)
não que saiba escrever ou dizer o que quero
Resolvi passear e na tarde acontece
encontrar o lenço no bolso e dos beirais ao olhar a rua
a rua chegar à porta escrevo-te
porque me apetece escrever e ainda esta manhã te vi e
Compro o jornal e
da esplanada escrevo a canivete os nossos nomes no ar do rio
escrevo-te e as palavras duram mais
e são ditas de todas as vezes que lidas e
não que saiba escrever ou dizer o que quero Entro
e o autocarro está cheio
e ainda esta manhã te vi e
Passeei a tarde inteira e se me acho nos beirais dos bolsos
e se acontece vir das a casa que leias o que te digo
de todas as vezes
Então pedi um café demorado e não li o jornal
e dos beirais das o nome às coisas e
os pombos juntam-se aos velhos no jardim e o autocarro está cheio
E acontece vir dar a casa escrevo-te
e antes do jantar entrego-te esta carta em mãos
e não é porque saiba escrever ou dizer o que quero é
só porque sim
(João do Nascimento)
Monday, 10 May 2004
Eu dizia:
“nenhuma brisa é triste”,
e procurava água, lábios,
um corpo
onde a solidão fosse impossível...
(Eugénio de Andrade)
Nikon F50, Kodak Ektachrome 100 ISO, 2004
Sinto que ainda estou a descobrir a vida como ela é, por vezes dura, nem sempre um canto quente e aconchegante... e quando acontece ela abalar o meu ser, tenho de reagir muito mais violentamente do que gostaria... e é tão difícil!
“nenhuma brisa é triste”,
e procurava água, lábios,
um corpo
onde a solidão fosse impossível...
(Eugénio de Andrade)
Nikon F50, Kodak Ektachrome 100 ISO, 2004
Sinto que ainda estou a descobrir a vida como ela é, por vezes dura, nem sempre um canto quente e aconchegante... e quando acontece ela abalar o meu ser, tenho de reagir muito mais violentamente do que gostaria... e é tão difícil!
Thursday, 6 May 2004
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