Monday, 13 September 2004
Morreu o meu Mustapha. Era um periquito amarelo e verde, muito bem disposto e uma excelente companhia. Todas as manhãs eram mais alegres quando ele cantava até à exaustão (a nossa). Gostava de pensar que ele não sofreu, mas acho que sofreu bastante pois viu-se privado das suas capacidades durante algum tempo, demasiado tempo... e sentia uma revolta grande, uma teimosia pela vida como nunca vi em animal nenhum. Infelizmente só pude partilhar com ele da tristeza por aquilo que lhe estava a acontecer, e tentar tornar-lhe os dias menos negros. Agora espero que exista um lugar melhor para ele, onde ele possa cantar todas as manhãs de sol e ser feliz, à simples maneira das aves...
Wednesday, 8 September 2004
Coimbra, 2004 / HP Photosmart 620
Coimbra... o regresso: depois de um mês de Agosto completamente estranho, tal a serenidade que se abateu soubre as ruas de Coimbra, o burburinho e a vaga de gente recomeça a sentir-se a pouco e pouco. Primeiro o final do mês de Agosto, o regresso das férias com as marcas evidentes da estadia na praia, depois o início de Setembro, o regresso ao trabalho e às filas, as obrigações e os horários... o stress! Coimbra morre no Verão, e renasce no Outono, em todo o seu esplendor. Vive do regresso, eterno. Mesmo para quem fica, e assiste a este fenómeno, o regresso existe, faz-se sentir. Coimbra é mesmo a cidade dos estudantes. E aqui sinto-me eternamente um deles...
Saturday, 14 August 2004
A música , HP Photosmart 620, Agosto 2004
"Um segredo profundo a atravessar-nos. Uma emoção a continuar para onde não se imagina. A vida condensada e repetida. Um momento ao qual não tínhamos a certeza de poder sobreviver. Recordações e a explicação simples da vida. O mistério mais impossível e a revelação mais clara. Cores: branco, azul, verde, branco, luz, negro, azul, céu, branco. Nenhuma cor. Água. Silêncio a falar a língua da claridade numa voz de manhãs. Um som ou alguma coisa verdadeira. Tudo isto e nada disto era a música."
(José Luis Peixoto, in Uma casa na escuridão)
Friday, 16 July 2004
Nikon F50, Kodak 200 ISO, Praia da Amoreira 2002
Nada
Antes não havia nada. Nada senão oliveiras e céu, Alentejo pobre, terra de alguns. Hoje, apesar do progresso, o nada é maior. Continuo a voltar lá para sonhar e me desiludir. Para endurecer e fortalecer o cinismo necessário à sobrevivência. Do nada aproveito tudo.
(Paulo Nozolino)
Deparo-me muitas vezes com este contacto com o "nada". No local onde trabalho e recolho os dados para a minha tese de mestrado, é assim... um nada absoluto, penetrante e por vezes gritante, outras vezes confortante. E se no meio dele me esqueço do tempo e abarco esse deserto com todo o meu ser, longe dele encaro-o com medo e relutância. E a nossa noção de tempo é diferente da daquelas pessoas que do vazio fizeram a sua vida. Porque no ruído do dia-a-dia a ideia de vazio toma outras proporções e surge quase como uma ferida.
Thursday, 8 July 2004
Para amansar um animal, destroem-se-lhe os membros. Para amansar uma nação, destrói-se o seu povo. Rouba-se-lhe a vontade. Demonstra-se controlo absoluto sobre o seu destino. Prova-se-lhe, em última análise, quem decide, quem vive, quem morre, quem prospera, quem não prospera. Para mostrar a nossa força, exibimos tudo o que podemos fazer e a facilidade com que o podemos fazer. A facilidade com que podemos carregar num botão e aniquilar a terra. A facilidade com que podemos declarar a guerra ou fazer a paz. Como podemos tirar um rio a uns para o darmos a outros. Como podemos reverdecer um deserto ou derrubar uma floresta e plantar outra noutro sítio. Usamos a arma do capricho para minar a fé dos povos nas coisas antigas – terra, floresta, água, ar.
Feito isso, o que mais resta? Só nós próprios. Eles voltar-se-ão para nós porque somos tudo o que eles têm. Adorar-nos-ão mesmo desprezando-nos. Confiarão em nós apesar de nos conhecerem bem. Votarão em nós mesmo que lhes tiremos o último fôlego do corpo. Beberão o que lhes dermos a beber. Respirarão o que lhes dermos a respirar. Viverão onde despejarmos os seus haveres. Têm de o fazer. Que mais podem fazer? Não existe nenhum tribunal superior para onde possam apelar. Somos mãe e pai para eles. Somos o juiz e os jurados. Somos o mundo inteiro. Somos Deus.
O poder é fortalecido não só pelo que destrói mas também pelo que cria. Não só pelo que tira mas também pelo que dá. E a Impotência reafirma-se não só pelo desamparo dos que perderam, mas também pela gratidão dos que ganharam (ou pensam que ganharam).
Esta casta de poder contemporâneo e frio oculta-se entre linhas de cláusulas aparentemente nobres e constituições aparentemente democráticas. Ambas são empunhadas pelos representantes eleitos de um povo supostamente livre. Porém, monarca nenhum, déspota nenhum, ditador de século nenhum na história da civilização jamais teve acesso a armas desse calibre.
Dia a dia, rio a rio, floresta a floresta, montanha a montanha, míssil a míssil, bomba a bomba, quase sem o sabermos, tudo está a ser destruído.
(Arundhati Roy in Pelo bem comum, acerca das mais de cinquenta milhões de pessoas desalojadas pelas Grandes Barragens construídas no Rio Narmada, na Índia)
Feito isso, o que mais resta? Só nós próprios. Eles voltar-se-ão para nós porque somos tudo o que eles têm. Adorar-nos-ão mesmo desprezando-nos. Confiarão em nós apesar de nos conhecerem bem. Votarão em nós mesmo que lhes tiremos o último fôlego do corpo. Beberão o que lhes dermos a beber. Respirarão o que lhes dermos a respirar. Viverão onde despejarmos os seus haveres. Têm de o fazer. Que mais podem fazer? Não existe nenhum tribunal superior para onde possam apelar. Somos mãe e pai para eles. Somos o juiz e os jurados. Somos o mundo inteiro. Somos Deus.
O poder é fortalecido não só pelo que destrói mas também pelo que cria. Não só pelo que tira mas também pelo que dá. E a Impotência reafirma-se não só pelo desamparo dos que perderam, mas também pela gratidão dos que ganharam (ou pensam que ganharam).
Esta casta de poder contemporâneo e frio oculta-se entre linhas de cláusulas aparentemente nobres e constituições aparentemente democráticas. Ambas são empunhadas pelos representantes eleitos de um povo supostamente livre. Porém, monarca nenhum, déspota nenhum, ditador de século nenhum na história da civilização jamais teve acesso a armas desse calibre.
Dia a dia, rio a rio, floresta a floresta, montanha a montanha, míssil a míssil, bomba a bomba, quase sem o sabermos, tudo está a ser destruído.
(Arundhati Roy in Pelo bem comum, acerca das mais de cinquenta milhões de pessoas desalojadas pelas Grandes Barragens construídas no Rio Narmada, na Índia)
Tuesday, 22 June 2004
Hoje inauguro uma nova secção do meu blog, o portfolio, no qual vou apresentar algumas das minhas fotos numa abordagem mais temática. Começo com um dos principais alvos da minha atenção diária e da minha paixão: as árvores. Pela sua grandeza, pela diversidade e poesia das formas e pelo respeito que lhes tenho, enquanto seres vivos. É difícil não gastar um rolo inteiro com elas! E espero que, este ano, as nossas florestas sejam poupadas e preservadas a sério!
Sunday, 20 June 2004
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