Wednesday, 24 February 2010

Infância



Da nossa estadia em Lisboa, trouxe de casa dos meus padrinhos algumas recordações da minha infância. Uma caixa cheia de pequenos desenhos, bilhetes, cartas e trabalhos manuais que fiz quando era pequena, a propósito de tudo e de nada, antecipando já a tendência para os presentes e crafts...

Monday, 22 February 2010

Do fim-de-semana









Não me posso queixar... um dia inteiro e uma manhã de sol foi mais do que esperava! Claro que aproveitámos para passear! E depois quando veio a chuva, vingámo-nos no chá quente, nos scones e na boa música para acompanhar uma tarde caseira de trabalho.

Boa semana!

Friday, 19 February 2010

Give me a little sunshine...


The naturals-set of 5 postcards, by Jennifer Causey

Embora correndo o risco de parecer sempre descontente, não sou de certeza a única farta de tanta chuva e frio... tem sido constante e é difícil fazer o que quer que seja, mexer-me ou mesmo pensar! Ainda assim, em Portugal não temos o pior tempo...
Para animar, nada como receber imagens como estas, que encomendei à Jen, cujo trabalho admiro há bastante tempo. Vão para a parede da sala um dia destes, até lá, ficam a transbordar serenidade e inspiração, para anunciar melhores dias!

Bom fim-de-semana e, se possível, alguns raios de sol!

Thursday, 18 February 2010

Poemagem #2

nossa senhora das andorinhas cansadas

no beiral do café, enquanto confessámos
ideias sórdidas sobre as pessoas bonitas,
pousavam as primeiras folhas de outono.
pensámos que as pessoas bonitas deviam
conferir trocos pequenos em lojas de
bairro e que, por uma moeda maior, nos
vendessem corpo e alma sem grande resistência.
pensámos que as folhas de outono, entristecendo
o café, deviam subir com o vento e
encalhar nas nuvens. em alto mar, se as nuvens
se cansassem, poderiam ser largadas
longe dos nossos corações predadores mas
tão aflitos com o amor. no inverno, pensámos,
não sermos amados é como estar na fila para
morrer. olhámos em redor e nada

(valter hugo mãe, in pornografia erudita, cosmorama edições)




Photo by Simon Wong


*Sobre o projecto Poemagem*

Wednesday, 17 February 2010

Em Lisboa












Joana Vasconcelos no Museu Colecção Berardo (no canto superior direito)


A Vida Portuguesa, no Chiado


A Vida Portuguesa, no Chiado



Uma curta pausa para parar o tempo e dar um pulo à capital. Apesar da chuva e do frio, foram uns dias óptimos para nos "perdermos" pela cidade... Entre os passeios, algumas paragens para cafés, encontros (não tantos como gostaríamos porque o tempo não dá para tudo) e felizes coincidências (como a descoberta da Joana Vasconcelos em plena preparação da próxima exposição no Museu Colecção Berardo, ou da loja A vida portuguesa, no Chiado, onde recordámos outros tempos)... Ficou uma longa lista de mais locais a visitar, esperemos que muito em breve.

Friday, 12 February 2010

Bom fim-de-semana!


1. a sweet little tree, 2. Untitled, 3. The musician, 4. the meltdown

O fim-de-semana avizinha-se frio. Mesmo assim vamos aproveitar para passear. Até breve!

Thursday, 11 February 2010

Poemagem #1

Bem-vindos a um novo projecto! Uma parceria com a minha amiga SombrArredia, com quem partilho o gosto pela poesia (entre outras coisas). Sempre gostei de misturar poemas com fotografias, ... poemar (expressão da S.) imagens ou imaginar poemas... E assim surgiu esta "Oficina": numa semana eu envio uma foto à S. para ela "poemar", na outra ela envia-me um poema para eu "imaginar". E vamos alternando e deixando aqui e no espaço dela o resultado! Espero que gostem tanto como nós!





Photo by george song


Onde não pode a mão

Como se uma estrela hidráulica arrebatada das poças.
Tu sim deslumbras, Por coroação:
por regiões activas de levantamento:
por azouge da cabeça,
Brilhas pela testa acima,
Ceptro : potência - ah sempre que o chão crepita
dos charcos de ouro,
E no corpo trancando a veias
e nervos : o sangue que se afunda e faz tremertudo, Tocascom um arrepio de unha a unha
o mundo, Pontada
que te abre e aumenta
ou
- onde se um troço dessa massa
intestina: e como respirada: às queimaduras
primitivas - Boca:sexo: vivezadas tripas: uma glândula que te move
ao centro, Amadureces como um ovo, Na traça carnal: todocom um golpe com muita força para dentro
Cortaram pranchas palpitando de água:
fincaram-nas,Montaram esta casa: suas membranastrémulas: a potência
do chão, Este astro opulento entreaberto
pelas labaredas,
Com uma chaga na camisa: grita,
Há alguém que grita com uma imagem
em combustão saída
do corpo: comoa parte de fora de um planeta,
Que se não toque nunca nas bolsas onde
pulsa a água,
Que se não toque nas torneiras
onde se ata o gás:nos pontos
de tensão por onde o gás rebenta,
A morte está tapada em qualquer parte
dos dedos
enredados em qualquer parte
da matéria
tremenda sob os dedos, A matéria que mata
por fogo ou afogamento,
E na garganta como o ar faz o som
a morte faz um grito:
um estrangulamento, O gás brilha muito:
a água brilha:
no interior de tudo brilha tanto
o medo
como uma força, Respirando: ahjubilação da cara: o sangue dentro
na sua malha sensívelcanta canta, O lirismo é louco: aterra,
O tronco:
a dor de um músculo
arroteado
fremindo,Este uso
luminoso imposto ao mundo
das paisagens, Assim sobre o pescoço
dispõe-se disto - carne
martelada por fluxos e refluxos entre
as formas e o assombro,
A comida por exemplo há que tragá-la,
Há que escoar a água
pelos ralos
da terra: ou entre os braços côncavacomo uma estrela há que
sustê-la, Há que sorver veneno gás: umdelírio tóxico,Há
que ter a transparência da morte,
É preciso ser dental: ter entranhas: ser igualao furor das coisas:
da metáfora
das coisas, Um pouco de acrescento
manual ao raio que destroça
a mão, Ou engolir no tubo assoprado
tanto
do ar do fundo, Há que ser
ferramenta de música.

(Herberto Helder, in Ou o poema contínuo, Assírio & Alvim, Set. 2004)